A Sciedade dos Sem- anel


A Sociedade dos Sem-anel

É impressionante como nossas vidas são diferentes e ao mesmo
tempo como nossas experiências e perspectivas compartilhadas sobre
estar solteiro nos ajudam a preencher nossas lacunas.



Uma
viúva de 62 anos, dois rapazes de 20 e poucos anos, uma mulher de 40
anos que nunca se casou e uma moça de 27 anos como porta-voz para a
pureza sexual. Não, esta não é a chamada para um reality show de namoro
na televisão. É uma lista de algumas pessoas que conheci nas últimas
semanas. Em todos estes encontros, fiquei impressionada com o quanto
nossas vidas são diferentes e ao mesmo tempo quão bem nossas
experiências e perspectivas compartilhadas sobre estar solteiro nos

ajudaram a preencher nossas lacunas.
A
jovem de 27 anos e eu trocamos os nomes de nossas comédias românticas
favoritas e conversamos sobre lidar com a possibilidade de nunca nos
casarmos. Os jovens

solteiros e eu conversamos durante uma aula na
igreja sobre como pode ser difícil para um solteiro se sentir parte de
uma comunidade. A mulher de 40 anos e eu conversamos sobre a gradativa
mudança de nossas expectativas ao longo dos anos e a alegria de sermos
tias. A viúva de 62 anos e eu choramos juntas ao relembrar a perda de
seu maravilhoso marido há apenas 2 anos e tentei encorajá-la em sua
nova jornada que trouxe medo e surpresas ao retornar à vida de solteira.

Admito que gosto muito de conhecer novas pessoas: solteiras ou casadas. Amo a
forma como interagem com outros que tiveram uma caminhada diferente da
minha, o que amplia meu olhar e paradigma. Mas há algo especial que
acontece quando, no meio de nossas apresentações, a pessoa que você
cumprimenta e você mesmo percebem que ambos são solteiros. De repente,
compreendemos que estamos lendo o mesmo roteiro. As personagens e o
local
podem ser diferentes, mas muitas questões do roteiro são idênticas ou
parecidas. Também percebi que grande parte do nosso vínculo especial é
proveniente de nossa dor compartilhada. Conhecemos as mesmas
frustrações, solidão, expectativas e medos sobre o futuro.

Sabemos que por trás do sorriso acolhedor, a pessoa que conhecemos
também compartilha dos mesmos ferimentos neste mundo caído. E nestes
encontros significativos experimentamos Deus trazendo beleza das
cinzas, alegria de nossa dor (Isaías 61.3).
Sempre dei ênfase e valor à importância que nossos amigos solteiros têm em nossa
vida. Há pouco tempo fui relembrada de seu papel essencial quando uma
amiga solteira cuidou de mim em uma noite após um dolorido término de
namoro. Quando ela ouviu o que acontecera, chegou à porta da minha casa
com chocolates e um filme de comédia (uma comédia que não era
romântica, o que é difícil de achar!). Ela ouviu meu lamento, me
consolou e compreendeu, pois já havia passado por uma situação idêntica
no ano anterior. Como isso já havia acontecido com ela, compreendia a
dor de perder alguém que amava, de retroceder à estaca zero. Muito do
que eu sentia não precisava explicar, pois esta irmã solteira
simplesmente sabia. E, conhecendo os sentimentos, compartilhou da minha
dor, eventualmente tornando-a mais leve.
Também
aprendi que ser real e autêntico tem muito a ver com a possibilidade de
experimentar todas as bênçãos da sociedade dos sem-anel. Cada vez que
falamos sobre as dificuldades de se estar solteiro – as solitárias
tardes de domingo, os

convites de casamento de pessoas dez anos mais jovens do que nós, a
centésima
vez que ouvimos a pergunta: “Por que você não é casado?”, sentir
saudade de alguém que nem conhecemos – com alguém que compreende, não
estamos mais sozinhos quando estes momentos chegarem novamente. Cada
vez que mostro essa ferida para algum de meus irmãos ou irmãs, meu
fardo é compartilhado e torna-se mais leve. De repente, quando recebo
mais uma pergunta insensível sobre

estar solteira, meus amigos solteiros estão comigo em espírito, rindo do absurdo deste questionamento.
É
claro, se estamos falando apenas dos momentos difíceis, estamos
compartilhando com nossos amigos e conhecidos apenas metade da
experiência de estarmos solteiros. Não quero que meus amigos solteiros
sejam apenas amigos para as horas difíceis e não quero que minha fala
desta fase da vida seja negativa, pois eventualmente só a sentirei como
negativa. É por isso que nas últimas semanas me diverti tanto ao falar
sobre a alegria de ser tia e também da realidade – às vezes deliciosa –
de pensar que se Deus tem um marido ou esposa preparado para nós no
futuro, ainda teremos a

experiência do primeiro encontro, do pedido
de namoro, da primeira vez que andamos de mãos dadas, do primeiro
beijo. Uma amiga solteira compartilhou sobre abrir um negócio sozinha e
o medo que esta nova empreitada apresenta caso ela falhe, uma vez que
não terá ninguém para cuidar dela caso isso aconteça. Mas conhecendo o
risco e admirando sua coragem, pude encorajá-la nesta aventura
solitária. Adoro poder sair

com amigos solteiros para jantar após o
trabalho, decidir na hora se queremos assistir ao nosso programa
preferido na casa de alguém ou ficar ao telefone.

Talvez uma das
maiores bênçãos que podemos oferecer uns aos outros na comunidade de
solteiros é ajudar na transição desta fase da vida. Seja devido ao
divórcio ou a morte do cônjuge, qualquer questão que force alguém ao
nosso time de solteiros é

algo dolorido. E essas pessoas precisam de
nossa empatia, segurança e amizade conforme sofrem essa completa e
súbita mudança de vida.

A viúva com quem conversei recentemente me
contou sobre sua tristeza e seu luto, além da surpresa de estar
repentinamente de volta ao grupo dos solteiros em sua idade e pude me
relacionar com seus desafios e dúvidas até agora, além de contar a ela
sobre experiências boas que ela ainda viveria nesta fase. Foi
gratificante poder dizer: “Você pode fazer isso!”, porque dividindo
este encorajamento e a verdade, sou

relembrada de que eu também posso viver isso.
Como
solteiro, eu me atreveria a dizer que é nossa responsabilidade ajudar
essas pessoas em sua dor e caminhar com elas nessa enorme transição.
Que razão excelente

para viver uma vida solteira abundante e
completa e ter conversas abençoadoras freqüentes, e ser capaz de
reassegurar a essas almas que sofrem na fase de solteiros, isso é uma
tarefa nobre!

E sobre a diversidade entre os solteiros, desde os jovens solteiros de 20 e
poucos
anos, os solteiros de 30 e poucos anos que têm seus relógios biológicos
a ponto de explodir, os pais solteiros de 40 anos, os divorciados de 50
anos, os viúvos de 60: isso me lembra da forma como o corpo de Cristo
deveria funcionar. Apesar de compartilharmos o status de solteiros e
isso ser nosso elo, nossas diferentes caminhadas através dessa fase
podem trazer grande riqueza. Posso me beneficiar do

romantismo dos
jovens de 20 anos, ouvir as lições de quem passou por um divórcio,
enxergar como é a vida de um solteiro que tem anos a mais do que eu.
Fazendo isso, funcionamos como um corpo de muitos membros, usando
nossas experiências únicas e nossos dons para abençoar o todo, conforme
descrito em Romanos 12.

Ao funcionarmos como corpo, podemos ser
parte da verdade da qual sempre me senti excluída como solteira, mas
percebi que certamente é direcionada também para nós da sociedade dos
sem-anel: “Um homem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem
defender-se. Um cordão de três dobras não se rompe com facilidade”

(Eclesiastes 4:12).

Copyright © 2008 por Cristianismo hoje
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Sobre nunaina

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